
Facções exigem pagamento de taxas
Desde fevereiro, ataques contra provedores de internet têm se tornado frequentes no Ceará. Facções criminosas exigem dinheiro das operadoras para permitir a oferta do serviço e retaliam aquelas que se recusam a pagar a “taxa de segurança”.
Modus operandi dos ataques
Os atentados envolvem disparos contra as fachadas das empresas, depredação de instalações, incêndio de veículos e cortes de cabos de fibra óptica, deixando clientes sem acesso à internet.
No caso mais recente, cinco criminosos encapuzados invadiram a empresa Giga+ no Bairro Parque Soledade, em Caucaia. Eles arrombaram a porta, espalharam líquido inflamável e incendiaram o local. O segundo ataque em Caucaia ocorreu no Bairro Parque São Gerardo. Já no município de Caridade, criminosos destruíram infraestruturas de internet, arrancando caixas de distribuição e derrubando cabos.
Na semana passada, 90% dos clientes de Caridade ficaram sem internet após um ataque semelhante, que comprometeu centenas de fios em postes da região.
Prisões de suspeitos
A Secretaria da Segurança Pública informou que dois suspeitos foram presos por envolvimento nos ataques desta segunda-feira em Caucaia. O primeiro, um jovem de 20 anos com passagem por tráfico de drogas, foi autuado por crime contra a incolumidade pública. O segundo suspeito, de 19 anos, também foi detido no Bairro Parque Soledade.
As autoridades ainda não confirmaram se os crimes mais recentes foram coordenados pelo Comando Vermelho, facção suspeita de estar por trás dos ataques registrados na última semana.
Operacao Strike combate ataques
A polícia intensificou as investigações e operações contra os criminosos. Na semana passada, a operação Strike, em suas duas fases, prendeu 27 membros do Comando Vermelho suspeitos de envolvimento na onda de ataques. Além disso, operadoras clandestinas de internet que atuavam a serviço da facção também foram desativadas.
Motivação dos ataques
Segundo o delegado Alisson Gomes, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, os criminosos buscam forçar as empresas a repassarem parte das mensalidades pagas pelos clientes.
Os ataques já levaram algumas provedoras a suspenderem suas atividades em regiões mais afetadas, como Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante e Caridade. Desde fevereiro, onze ataques foram registrados, sendo seis apenas na última semana. Pelo menos quatro empresas foram atingidas.
Linha do tempo dos ataques
Confira a cronologia dos principais ataques registrados:
- 17 de março: Incêndio na Giga+ e destruição de infraestrutura de internet em Caridade.
- 14 de março: Segunda fase da operação Strike prende mais sete suspeitos, totalizando 24 detenções.
- 12 de março: Primeira fase da operação Strike prende 17 suspeitos.
- 11 de março: Apedrejamento de um veículo da Brisanet em Caucaia.
- 10 de março: Fachada da empresa Acnet é atingida por tiros.
- 9 de março: Ataque no Bairro Sítios Novos, um dia após o governador anunciar medidas contra os crimes.
- 8 de março: Governo do Ceará cria grupo para combater facção.
- 7 de março: Destruição de fiações em Caridade, deixando 90% da cidade sem internet.
- 6 de março: Incêndio de um carro de serviço da Brisanet em Caucaia.
- 27 de fevereiro: Ataque e vandalismo a uma empresa no distrito do Pecém.
- 22 de fevereiro: Incêndio de dois veículos da Brisanet em Fortaleza.
As autoridades seguem investigando os ataques e reforçando a segurança para coibir novas ocorrências.
*** Informações com ➡ Conteúdo G1