Da Redação do Aconteceu Ipu
Um caso envolvendo ameaças contra indígenas da etnia Guarani Kaiowá provocou forte repercussão no município de Tacuru, em Mato Grosso do Sul. A situação veio à tona depois que áudios compartilhados pelo WhatsApp passaram a circular nas redes sociais, contendo declarações atribuídas a um funcionário da prefeitura que sugeriam contaminar a água utilizada pelos moradores de uma comunidade indígena.
As gravações teriam sido feitas após o resultado das eleições presidenciais de domingo (25) e fazem referência aos indígenas da Aldeia Sassoró. O conteúdo provocou indignação entre lideranças indígenas, parlamentares e representantes de órgãos públicos, que cobram uma investigação rigorosa.
Servidor foi afastado pela prefeitura
Após a divulgação das gravações, o prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou o afastamento preventivo do funcionário e informou que foi aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar sua conduta.
De acordo com o gestor municipal, o servidor trabalhava no setor de infraestrutura, exercendo a função de motorista de caminhão-caçamba. Ele não tinha responsabilidade pela distribuição de água no município.
Em uma das gravações, o homem teria utilizado uma expressão de extrema violência ao sugerir que indígenas fossem mortos por meio da água consumida pela comunidade.
Polícia Federal e Ministério Público acompanham o caso
A gravidade das declarações levou o Ministério dos Povos Indígenas a acionar a Polícia Federal, que deverá investigar as ameaças e verificar se houve alguma tentativa concreta de contaminação da água.
O Ministério Público Federal (MPF) também abriu procedimento para apurar os acontecimentos e estabeleceu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru apresente esclarecimentos.
Entre os pontos cobrados estão a identificação dos responsáveis pelas gravações, a autenticidade dos áudios e as providências adotadas para proteger os moradores da Aldeia Sassoró.
Deputadas cobram proteção aos povos indígenas
As deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá também solicitaram providências urgentes aos órgãos federais. As parlamentares defendem que as ameaças sejam investigadas e que a população indígena tenha garantida sua segurança.
Célia Xakriabá afirmou que encaminhou denúncias aos ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral.
A preocupação também envolve as condições de abastecimento da comunidade. Segundo a parlamentar, os Guarani Kaiowá enfrentam dificuldades históricas de acesso à água potável e dependem, em determinadas situações, do fornecimento por caminhões-pipa.
Liderança indígena repudia declarações
O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador no município, manifestou indignação diante do conteúdo divulgado.
Ele repudiou as declarações atribuídas ao servidor e afirmou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas civil e criminal.
A liderança também ressaltou que os indígenas têm o direito de participar livremente do processo eleitoral, sem sofrer ameaças, intimidações ou qualquer tipo de discriminação por suas escolhas políticas.
Prefeito pede desculpas e anuncia medidas
Diante da repercussão, Rogério Torquetti publicou um vídeo no qual pediu desculpas pelas declarações registradas nas gravações e declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com os esclarecimentos.
Além do afastamento do funcionário, a administração municipal informou que adotou medidas administrativas para apurar o episódio.
Água contaminada? O que se sabe até agora
Apesar da gravidade das ameaças, não existe, até o momento, confirmação oficial de que a água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró tenha sido envenenada.
As investigações buscam esclarecer se as declarações ficaram restritas às ameaças feitas por áudio ou se houve alguma ação concreta contra a comunidade.
O caso também reacendeu o debate sobre a segurança dos povos indígenas diante de manifestações de intolerância e violência relacionadas às disputas políticas.
Órgãos federais acompanham denúncias de violência
Em manifestação conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial defenderam a apuração das denúncias.
As pastas informaram ainda que acompanham relatos de violência envolvendo comunidades quilombolas e povos de terreiro após o segundo turno das eleições.
O episódio registrado em Tacuru segue sob investigação, e as autoridades deverão esclarecer as circunstâncias das ameaças e eventuais responsabilidades.
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*** Informações com ➡ Conteúdo G1 e Um só Planeta Globo
** Postagem: Virginia Aragão Soares
(Direto da Redação do Aconteceu Ipu)
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